Dez coisas que você precisa saber antes de viajar para Cuba

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1.Desconstrua esteríotipos

A melhor coisa que você pode fazer antes de marcar sua passagem é desconstruir  parte da imagem que criamos sobre o país. Cuba é muito mais do que os carros antigos e charmosos. Aliás, estes ficam concentrados na parte turistica de Havana e você vai ver diversos carros antigos capengas e muitos  veículos novos.

Quem vai a Cuba pode visitar diversas cidades históricas, praias que parecem proteção de tela do Windows,  cavalgar por campos de tabaco, conhecer cachoeiras, rios, cavernas…. De longe, esta foi a viagem que mais sonhei na vida e uma das que mais me marcou.

É um país muito pobre? Olha, se você nasceu e foi criado na Suíça vai ser um baque. Se não for o caso, não vai ser muito chocante. A pobreza existe e os cubanos se viram como é possível para ganhar a vida: é normal você ver médicos e engenheiros dirigindo um táxi, trabalhando em hotéis e fazendo bicos.

Por razões obvias, eles têm uma relação bem diferente com o consumo. Não é um destino para quem o maior prazer da viagem é fazer compras.  O que para nós é um hobby, para eles é algo feito apenas quando há necessidade.

É um lugar perfeito? Também não. Não vou me aprofundar falando do sistema e do embargo, mas há diversos problemas, sim. Ouvir os cubanos, especialmente os que moram em cidades menores, faz você compreender melhor como as coisas funcionam. Ter um acesso filtrado às informações não significa que as pessoas não tenham um posicionamento crítico. Não importa o quanto você leia ou quantos documentários você assista…conversar com as pessoas te dá uma perspectiva diferente das coisas positivas e negativas em Cuba.  

2.Quantos dias ficar

Se você tiver mais de 20 dias, é possível conhecer praticamente todo país, incluindo a parte oriental. E, olha, vale a pena! infelizmente, a parte oriental vai ficar para uma segunda visita ao país, já que não tinha tanto tempo. 😦

Entre 15-20 dias é possível fazer com calma as cidades principais: Havana, Varadero, Vinãles, Trinidad, Santa Clara, Remédios, Cienfuegos e alguns Cayos.

Para quem tem apenas uma semana Havana – Varadero- Vinales é opção viável ou apenas Havana e Cayo Largo.

3.Visto

Quando comecei a pesquisar vi que há muita confusão nas informações em relação ao visto.  Na verdade, é possível solicitá-lo na hora da viagem ou nos consulados.

Ao comprar a passagem, entre em contato com a companhia aerea e pergunte se é possível comprar a “tarjeta de turista” na hora da viagem. Fui de Copa Airlines, que oferecia esse serviço. Na hora do check-in paguei uma taxa de US$ 20 (R$ 80, na cotação do dolar do dia). Caso eles não tenham as tarjetas, também é possível pegar o documento no Panamá.  Achei essa maneira bem mais prática.

A “tarjeta de turista”  é uma fichinha que preenchemos quando chegamos em Cuba, com nome, data de chegada, data de partida e endereço do hotel/casa particular. O documento é válido por 30 dias, que podem ser renovados por mais 30. Eles só carimbaram meu passaporte na volta.

Outra maneira é solicitar o visto é por um dos consulados de Cuba no Brasil, que ficam em Brasília ou São Paulo. Você precisa enviar uma cópia do passaporte, cópia da passagem de ida e de volta, cópia da reserva da hospedagem e o formulário de solicitação que pode ser encontrado aqui.

Caso o viso seja solicitado pessoalmente ele é emitido na mesma hora por uma taxa de R$ 48. Se uma outra pessoa fizer o requerimento para você, haverá também  uma taxa de trâmite não pessoal de R$80, o que totaliza R$128.*

Também é possível solicitar o visto pelo correio, onde o requirinte paga a taxa de R$ 128 + o Sedex. O procedimento leva cerca de três dias. O depósito deve ser feito na conta 301.014-7, da agência 1606-3, Banco do Brasil. Não esqueça de enviar o comprovante de depósito junto com os documentos.

Às vezes é cobrada uma taxa de 15 CUCs para sair do país, então deixe esse dinheiro separado. Em alguns casos, como o meu, o valor da “taxa de saída” já veio embutido na passagem.

*Valores de maio de 2015.

4.Dinheiro

Pode exercer o desapego  pelo cartão de crédito: praticamente todos os lugares aceitam apenas dinheiro. Na verdade, só vi cartões sendo aceitos nos resorts dos cayos. Gastei cerca de US$ 50 doláres por dia, contando com a hospedagem.

Apesar de um ensaio de reaproximação com os Estados Unidos, ainda é cobrada uma multa de 10% para trocar a moeda americana por CUC, a moeda turistica cubana. É muito mais vantajoso trocar euros nas diversas Cadecas (casas de câmbio) espalhadas pela cidade.  Na época que fui, o 1 Euro valia cerca de 1.08 CUCs. Como as casas de câmbio são do governo,  não há variações de preço.

Há alguns caixas aletrônicos nos hotéis, mas nem sempre eles funcionam.

Para quase tudo você vai usar CUCs, mas também é possível utilizar pesos, a moeda nacional. Com pesos é possível pagar passagens de ônibus,  mercado e comer em algumas lanchonete. Na hora de comprar qualquer coisa preste atenção se o preço mencionado é em CUCs ou pesos, pois há uma enorme diferença: 1 CUC vale cerca de 23 pesos cubanos.

5.Hospedagem

A minha melhor decisão foi optar por ficar em  “Casas Particulares”  em todas as cidades. Minha viagem teria sido infinitamente menos rica sem as histórias que ouvi e sem conhecer as famílias que me hospedaram. Todos os lugares eram extremamente limpos e organizados.

Reservei apenas a primeira casa em Havana. Lá eles me deram a indicação de casas em outras cidades. A diária varia entre 15 CUCs e 30 CUCs. O valor é por quarto independe do  número de pessoas, então se você tiver alguém para dividir melhor ainda! O café da manhã é sempre cobrado a parte e custa entre 3 CUCs e 5 CUCs. Sempre comi muito bem nas casas: sucos, torradas, queijo, muitas frutas… se sobrar algo você pode levar para comer durante o dia ou guardar na geladeira. As casas também oferecem almoço e jantar, mesmo para quem não está hospedado por lá.

Depois de ler muito, me decidi pela casa de Clarita y Orlando e paguei 20 CUCs por noite (email: claritahab182@gmail.com. Ela responde e-mails uma vez por dia).  Fiquei no apartamento da filha deles, Klensy, que é no mesmo prédio, e eles foram uma das melhores coisas que me aconteceram em Cuba. Me senti visitando velhos amigos. Klensy é uma pessoa super alegre, sempre disposta a ajudar, me passou contatos de ótimas casas para as próximas cidades. Ela também me ajudou a arrumar uma casa em Havana para os últimos dias da viagem, procurou carro compartido para viagem.

Sempre negocie o preço da casa. Se te cobram 25 CUCs, diga que você paga 15 e provavelmente você vai conseguir fechar em 20 CUCs com café da manhã. Faça sempre cara de quem não está impressionado, diga que vai ver outras casas e depois decide.  Há grandes chances que o dono da casa aceite o preço proposto.

6.Transporte

Antes de viajar, pedi para o pessoal da casa agendar um taxi para me levar do aeroporto até o hotel. Paguei 25 CUCs. Eu já sabia que devemos negociar os valores do táxi, mas como meu voo chegaria muito tarde e minha viagem era bem longa, preferi evitar a fadiga. O táxi da volta consegui fechar por 15 Cucs.

Para as outras cidades eu fui de carros compartilhados. Sempre negocie  o preço, nunca aceite a primeira proposta. Há diversos táxis  oficiais (mais caros) e os alternativos, que saem mais em conta. O problema dos alternativos que não são indicados pelas casas é que eles podem simplesmente não aparecer, como aconteceu quando eu estava em Trinidad e ia para Remédios.

Você pode pedir para as pessoas da casa  marcarem um táxi.Eles vão checar com outras casas se há pessoas indo para mesma cidade. Outra  opção é ir até um dos terminais, onde  é possível encontrar mais pessoas indo para o mesmo destino.  

Usei ônibus apenas uma vez, da Via Azul, que era bem novo e confortável.

7.Internet

Foi-se o tempo que a ilha de Fidel era um pontinho isolado de comunicação no mapa. Em todas as cidades existem pontos de wi-fi que são facilmente reconhecidos: são famílias amontoadas em torno de um celular em uma vídeo conferência com algum parente que mora fora, diversos jovens e, claro, turistas.

para acessar é preciso comprar uma tarjeta de internet, que pode ser comprada nas casas oficias Etecsa (2 CUCs por uma hora). Eles quase sempre pedem para ver o passaporte – ou uma foto dele- na hora da compra.  Os hotéis cobram cerca de 4 CUcs. Em todos os pontos de wi-fi é possível encontrar algum “cambista” vendendo as tarjetas ilegalmente, por 3 CUCs. Nesses casos, você se sente como comprando drogas: ele te oferece a targeta falando baixinho, pega o dinheiro olhando pros lados e retira o cartão que está malocado em algum esconderijo, como um maço de cigarros em um arbusto.

Caso você se conecte em um dos hotéis, sempre faça o logoff manual se não usar todos os minutos ou eles continuam “rodando” e você perde o tempo restante. Em outros lugares não há problema.

Ao fazer o login, nunca consegui entrar com o chrome. Se você tiver o mesmo problema, tente um outro navegador.

A conexão é bem rápida, foi algo que me surpreendeu. No entanto, o acesso ainda é salgado para os cubanos: o salario deles é, em média, 20 CUCs…uma hora de internet representa 10% a renda de um cubano.

8.Mulher viajando sozinha?

Cuba é um país extremamente seguro, mais do que cidades como Bruxelas. Paris ou Amsterdam. Não há assaltos, caminhava por ruas pouco ou nada iluminadas de madrugada e me sentia segura. É normal ver criaças brincando sozinhas em parques nada iluminados  tarde da noite.  

No entanto, para mulheres que viajam sozinhas – ou com amigas- o assédio dos homens é  constante, especialmente em Havana. É algo que irrita depois de um tempo:  você sempre vai ouvir alguma piada de to-dos os homens que passam na rua, do taxista, do garçom que atende. É algo incessante e desagradável.

9.Golpes

Apesar de segura, há pessoas que tentam tirar vantagem do turista de todas as maneiras. Você sempre será abordado por pessoas pedindo sabonete, caneta, doces, dinheiro, roupas que você deixou no hotel, a roupa que você está vestindo… Ou você ignora ou diz que está na cidade faz três semanas e já deu tudo para outras pessoas.

Se te oferecerem um passeio muito mais barato, desconfie e nunca pague adiantado. Sempre vão aparecer pessoas para te levar em um festival de charuto imperdível, para te guiar até um lugar histórico da revolução para tomar um drink…. cilada, Bino!

É normal que as pessoas comecem a te acompanhar quando você está andando e puxem conversa. No final não se supreenda se te cobrarem uma taxa de guia. Como já sabia disso, quase sempre cortava a conversa.

nunca acredite se um taxista disser que não dá para ir a pé até algum lugar. peça sempre uma segunda opinião, só para checar.

Esses tipo de assédio são mais comuns em Havana e Trinidad, cidades maiores e turisticas. Nas outras cidades, conheci uma infinidade de pessoas bacanas, gentis e solicitas.

10.Negocie

É possível barganhar praticamente tudo em Cuba: táxi, casas, passeios, lembrancinhas… Em um dos carros compartilhados fechei um desconto porque sabia o final de Duas Caras e o motorista queria muito contar pra esposa..hehehe

Mais sobre Cuba:

Havana – Por onde começar

Um dia pela Havana Vieja

Viñales – O lado rural de Cuba 

Cayo Levisa – Nossa primeira parada no Caribe cubano

Trinidad, complicada e perfeitinha

A simplicidade de Remédios

Dolce far niente: Cayo Santa Maria e Las Brujas

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23 comentários em “Dez coisas que você precisa saber antes de viajar para Cuba

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  1. Adorei as dicas de Cuba! Tenho lido muito sobre o país há alguns anos e venho percebendo que está passando por mudanças radicais ultimamente. A internet é uma delas. Uma amiga que esteve no país em 2013 falava da dificuldade de encontrar internet sem ter que desembolsar uma fortuna. Cuba, com certeza, está no topo da lista dos lugares que quero conhecer e esse post está sendo muito útil para que eu tenha uma noção de gastos por lá. Adorei 😉

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  2. Tive a mesma impressão que a sua sobre os homens em Havana, eles eram muito chatos e irritantes, a todo o tempo perguntavam e ofereciam algo, e sobre a internet quando fui não tive nenhum acesso a internet e achei incrível, pois me desapaguei da tecnologia por vários dias! Cuba foi um dos destinos que mais adorei conhecer!

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    1. Eu confesso que internet eu sempre entrava….mas 40 min por dia comparado ao que ficamos conectados é quase nada…rs Os caras em Havana são muito chatos! Só tive sossego um dia que fiquei andando com um brasileiro e eles respeitavam a presença dele. ¬¬

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  3. Eu sempre tive muita vontade de conhecer Cuba mas meu marido não tinha o menor interesse, até que meu irmão foi passar a lua de mel em Havana e na volta comentou sobre muitas coisas que nunca imaginávamos que pudessem ser vistas em Cuba e finalmente meu marido começou a pensar numa viagem pra lá. Agora tenho esperanças de que iremos :).

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